Instituidora da FJPN


A vocação da LBV para a comunicação às massas é notória. Desde 4 de março de 1949, Alziro Zarur (1914-1979), em seu programa a Hora da Boa Vontade, transmitido à época pela Rádio Globo, do Rio de Janeiro, já reunia milhares de ouvintes para a meditação espiritual. Com uma palavra de carinho e alento aos carentes do corpo e do Espírito, ele deu o primeiro passo para o surgimento da Legião da Boa Vontade e sua tarefa apostolar.

Também não foi por acaso que as reuniões preparatórias da Instituição ocorreram no Salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, logo em seguida, tendo em vista o grande crescimento de público, foram transferidas para o seu auditório, o qual dispunha de espaço mais amplo. O Presidente, àquele tempo, da respeitada instituição, Herbert Moses, surpreendido com o fenômeno da LBV declarou: "Zarur fez um verdadeiro milagre, juntando tantos inimigos cordiais na LBV".

Na época, janeiro de 1950, O Globo, do jornalista e empresário Dr. Roberto Marinho (1904-2003), publicou dois editoriais, saudando o nascimento da nova Instituição, que tinha como sede uma pequena sala num prédio da Rua Acre, no centro do Rio de Janeiro/RJ.

Um dos textos, publicado em 26/01/1950, anunciava: "Há um aspecto, na recente criação da LBV, que merece ser assinalado e posto no devido relevo. Trata-se da verdadeira confraternização de todos os credos religiosos que se processou no referido movimento, destinado, sobretudo, a amparar moral e materialmente os enfermos e necessitados. (...) Não são comuns acontecimentos desta ordem nem freqüentes mobilizações de tamanha envergadura moral. (...)" 

Não foi, portanto, sem motivo que, igualmente, na metade do Século XX, o filósofo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972) declarou: "A Legião da Boa Vontade é um movimento novo na História da Humanidade. Colocará o Brasil na vanguarda do mundo".

O saudoso jornalista Benedito Mergulhão , em A Noite, edição de 18/06/1956, recorda: "Considerando que todas as religiões desempenham um papel preponderante no aperfeiçoamento espiritual do Homem, a LBV teve a feliz iniciativa de reunir representantes de todos os credos que se professam nesta capital e, confraternizados, cada um de per si expor as bases das respectivas doutrinas. Dessa forma, a Legião da Boa Vontade levou a efeito, em outubro, novembro e dezembro de 1949, reuniões em que falaram representantes do catolicismo, protestantismo, espiritismo, budismo, maometismo, positivismo, bramanismo, judaísmo, esoterismo, umbandismo etc."

Essa estreita ligação da LBV com os meios de comunicação foi decisiva para que sua identificação junto ao Povo logo se consolidasse em todo o País. A primeira publicação mensal da Instituição, Revista Boa Vontade, foi impressa pela gráfica da Bloch Editores, do empreendedor jornalista Adolfo Bloch (1908-1995), que conheceu ainda jovem o atual dirigente da LBV, José de Paiva Netto. O primeiro programa da Legião da Boa Vontade na televisão, a "Prece da Ave-Maria!", foi levado ao ar por Zarur em fevereiro de 1967, na extinta TV Continental, de Rubens Berardo. O segundo, "Um Homem e a Multidão - O show é Zarur", ocorreu na TV Excelsior, no Rio de Janeiro/RJ, em maio de 1969. Outros importantes órgãos da mídia igualmente marcaram a marcha vitoriosa da LBV, a exemplo da revista Manchete e da antiga TV Manchete (também do Grupo Bloch), e ainda os veículos do Grupo Bandeirantes - RTB, com destaque para a Rádio Guanabara e a Rede Bandeirantes de Televisão, emissora que continua levando ao ar os programas da Instituição. O também saudoso empresário e respeitável homem de comunicação Dr. João Jorge Saad (1919-1999), Fundador da RTB, foi amigo pessoal de Paiva Netto e, em diversas oportunidades, registrou seu carinho pela LBV. 

A Campanha Permanente da LBV Contra a Fome, que engloba a distribuição da Sopa dos Pobres, foi outro ponto relevante logo nos primeiros anos da Legião da Boa Vontade, que, por meio desse trabalho, perfilava-se, também, como entidade voltada para obras e serviços no âmbito da Promoção Humana e Social, destinados aos estratos mais carentes da população.

Por força de seus estatutos, a LBV é apolítica e apartidária; possui caráter educacional, cultural, beneficente e filantrópico, sendo reconhecida de utilidade pública pelo Governo Federal desde 1956. Assinaram o histórico decreto o então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, e o Ministro da Justiça da época, Nereu Ramos. 

Educar com Espiritualidade Ecumênica

A base - e o diferencial - de todas as ações sociais e educativas da Legião da Boa Vontade é a aplicação da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, que compõem a linha educacional da Instituição. Utilizada diariamente, com sucesso, nas unidades de atendimento da LBV, essa linha possui metodologia própria: o Método de Aprendizagem por Pesquisa Racional, Emocional e Intuitiva (MAPREI), que propõe o desenvolvimento da inteligência do cérebro sem perder de vista o potencial que existe no coração dos educandos. 

Essa inovadora pedagogia se fundamenta na educação integral do Ser Humano, pelo fato de considerá-lo um ser espírito-biopsicossocial, respeitando-se, assim, suas dimensões espiritual, física, psicológica e social. Para que essa educação integral seja alcançada, alia-se o aspecto racional do processo ensino-aprendizagem aos valores éticos, ecumênicos e espirituais, visando o desenvolvimento de indivíduos conscientes de seus direitos e deveres, livres de quaisquer preconceitos e aptos a constribuir para o contínuo progresso do país, na construção da sociedade verdadeiramente solidária.